O natural é a melhor moda

Fernanda se reconciliou com seus cachos.

Cabelos são mais que identidade, são personalidade. Já tem um tempo que as mulheres estão assumindo seus fios naturais e se afastando dos padrões de beleza, do famoso clichê “cabelo bonito é cabelo liso”. Hoje, cabelo bonito é cabelo livre, com diferentes curvaturas e cheio de estilo.

Cada vez mais as mulheres estram na jornada de buscar elevar a autoestima e recuperar seus fios naturais. Estão deixando de lado a chapinha, secador e alisamentos químicos e passando pelo processo de transição capilar.

Mas, afinal, o que é transição capilar?

A cabeleireira e especialista em cabelos afros, Amanda da Silva, explica que a transição capilar é a remoção total da química por meio de produtos específicos, como o desprogressivante. Mas o processo tradicional ainda é o mais utilizado, o corte.

Métodos de transição

Há vários passos de se fazer a transição, como o Big chop, quando a mulher escolhe cortar de uma única vez as parte do cabelo com química. “Algumas mulheres que tem um comprimento de cabelo geralmente longo e quer voltar a ter os fios naturais acabam não aceitando cortar todo o cabelo por medo de não gostar do resultado. Outro jeito, mas prático é ir cortando aos pouquinhos, eliminando as partes alisadas sem pressa”, diz Amanda.

Outra forma de transição é usar as Box braids, as famosas tranças que ajudam no crescimento dos fios, sem danificá-los.

Os processos de transição não têm um período de tempo definido para a finalização e dependem do estado em que o cabelo se encontra, forte ou frágil.

É nesse período que os cuidados precisam ser redobrados, atentando-se com a hidratação tanto em casa quanto no salão e usando produtos próprios para o tipo de cabelo.

 Âmali Alves, de 19 anos, faz parte desse time de mulheres que decidiram abandonar de vez a química.

“Era uma febre alisar os cabelos e acabei entrando na onda por ser mais prático de cuidar”.

Ela decidiu fazer a transição capilar no final de 2015, pelo fato do seu cabelo ter chegado a um estado crítico devido à quantidade de química que utilizava.

“Foi nesta época que o cabelo cacheado começou a ser aceito. Eu vi mulheres assumindo seus cachos e isso me fez ter coragem para fazer o mesmo. Quis saber como era o meu cabelo natural e descobrir o quão lindo ele é”, lembra Âmali.

Âmali com os cabelos lisos…
… e apos assumir os cachos.

Já Fernanda Isaac, de 23 anos, começou a alisar os cabelos por conta dos comentários que recebia, como “seu cabelo é ruim” e “parece Bombril”.  Ela acreditava que era preciso ter o cabelo liso para se encaixar. “Eu queria me parecer com as outras meninas e amigas, queria o cabelo nos ombros e que fosse leve, que voasse com o vento”.

Por mais que gostasse dos fios lisos ela sentia que algo estava errado. “Foi quando comecei a perceber que eu alisava meu cabelo para os outros e não pra mim; eu estava fazendo e sendo o que os outros gostariam que eu fosse. Eu precisava aceitar o meu cabelo para me sentir completa”, conta Fernanda. Ela começou o processo da transição em 2012, quando deixou o cabelo crescer. Em 2013 ela foi além e cortou toda a parte lisa do cabelo.

“Eu mesma cortei em casa, foi libertador, eu amei demais. Não parava de me olhar no espelho; me achei linda”, comemora.

A história de Âmali e Fernanda se repete com muitas outras jovens que também têm a autoestima afetada pelo cabelo. O psicólogo Fabricio Otoboni explica que vivemos numa sociedade que impõe etiquetas, padrões e regras de beleza a serem seguidas. A sociedade se importa com aparência e as pessoas com a forma como a sociedade vê a aparência delas. Por isso, outras mulheres passaram a alisar o cabelo para serem aceitas pela a sociedade, afetando a autoestima delas.

Levou muito tempo para que as pessoas percebessem que o belo é subjetivo e que os padrões de beleza não importam tanto. As pessoas estão dando menos valor ao que a sociedade dita, pois o mais importante é se sentir bem com o próprio corpo, cor de pele e cabelos, seja da curvatura e textura que for.

Isso tem ajudado muitas mulheres a recuperar a autoestima, passando a se amar do jeitinho que são. Afinal, o original é a melhor moda.

Texto: Tamiris Reis

Fotos: Arquivo pessoal

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