Volta por cima – a vida após um casamento violento

Você sabe o que é um relacionamento abusivo? Saberia identificar se alguém próximo (ou você mesma) está em um? Estar em um relacionamento abusivo não quer dizer, necessariamente, apanhar. Muitas vezes, a violência toma outras proporções, como a violência psicológica, sexual e financeira. Elas são muito mais sutis que a agressão física e, por isso mesmo, mais difíceis de identificar.

A violência pode acontecer em qualquer tipo de relação, seja ela heterossexual ou homossexual. O que ocorre é que no começo dos relacionamentos os companheiros mostram o lado bom da união, ou seja, querem provar para a vítima que ela é a pessoa certa para se relacionar. Porém, ao longo do tempo isso se desfaz e a pessoa mostra o seu verdadeiro caráter.

A auxiliar administrativa Caroline, 19 anos, foi casada com um agressor durante dois anos e meio. Ela relata que no começo ele mostrou-se uma pessoa boa, apresentou-se à família, se tornou amigo das pessoas que viviam ao redor dela e, acima de tudo, começou a dar o carinho que faltava a ela.

O início das agressões

Infelizmente ele não era o que Caroline pensava! Aproximadamente um ano após o início do relacionamento ele começou a ter ciúmes excessivo e passou a não deixar ela sair com amigos; às vezes, nem sair junto com familiares. “Era da casa para o trabalho e do trabalho para a casa”, diz Caroline. Entretanto, para ela isso era a forma do companheiro expressar o seu amor.

Até que começaram as agressões. Primeiro ele a ofendeu verbalmente e, logo após, começou a lhe segurar firme pelo braço, empurrá-la e até agredi-la com socos e tapas. Ela se sentia mal com a situação, mas infelizmente não conseguia se desvencilhar da relação, isso porque ela o “amava”.

“Um dia estávamos entre amigos e começamos a discutir. Fomos embora do restaurante e chegando em casa começaram as agressões. Começou a me empurrar e me bater com o capacete, eu corri e ele veio atrás de mim; consegui pegar a moto e fui para a casa de uma amiga que me abrigou de madrugada. Fiquei a noite toda escondida na casa dela, mas logo pela manhã fui embora e voltei para os braços dele. Esse foi o dia em que mais senti medo”.

Além de Caroline sofrer com as agressões e todos darem conselhos para ela fazer uma denuncia ou até mesmo largá-lo, ela insistia na relação.

“Foram socos na cara, chutes, dor, aflição e uma mistura de amor e medo”, relatou Caroline.

A escolha final: amar a si mesma

Após dois anos e meio de um relacionamento abusivo, a vítima resolveu dar um fim à união. Ela saiu de casa, procurou a polícia e a justiça, iniciando o processo de divórcio. Os meses que se seguiram após o fim do relacionamento foram de ameaças de morte, perseguição e luta para esquecê-lo.

Há alguns anos atrás, Caroline teve outro relacionamento. Logo após o término com o agressor, ela se reaproximou do ex-namorado e reataram o a união.

 “Hoje posso dizer que, sou uma pessoa feliz e liberta das agressões que sentia. A pessoa que está comigo hoje é totalmente compreensiva e companheira. E acima de tudo, todo esse problema que passei se tornou uma forma de aprendizado para que eu possa gostar mais de mim e ser uma pessoa corajosa para enfrentar”, diz, convicta, Caroline.

O agressor tem ordem judicial para manter distância da ex-esposa e responde a processo judicial pelo crime que cometeu. A vítima hoje tem certeza de que fez a coisa certa e aconselha a todas as meninas que estão em um relacionamento que se atentem ao seu companheiro e à forma como ele age com familiares e com você.

Caso você esteja sendo agredida de alguma forma por seu parceiro ou conhece alguém que precise de ajuda, tenha em mãos o número 180 – Central de Atendimento à Mulher, que funciona todos os dias da semana, 24 horas por dia, ou procure uma Delegacia da Mulher.

A seguir, confira o gráfico do Sistema Integrado de Atendimento à Mulher, que mostra a relação entre agressão e faixa etária.

Por Tamires Gazola, 4º semestre de Jornalismo – Unitoledo-Araçatuba

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