Alegria de levar alegria

Tudo se inicia logo na entrada do estacionamento para médicos e colaboradores do hospital. Conversas, músicas, risadas, maquiagens e narizes de palhaço vão tomando conta do lugar que – na maioria das vezes – tentamos evitar estar. No banheiro, a cumplicidade na hora de se caracterizar, e muito lápis preto, pó branco, blush e batom vermelho. Após colocarem o jaleco e fazer uma breve oração ecumênica, caminham em direção a mais um dia de trabalho.

No final do ano de 2013, a funcionária de um hospital particular de Araçatuba Mariley Moraes teve uma ideia que, se desse certo, poderia estreitar os laços entre os funcionários do hospital e seus pacientes. Nesse mesmo ano entrou em contato com João Vitor Almeida, também funcionário do hospital, para a elaboração de um trabalho voluntário que mais tarde ganhou o nome de Unirisos.

O início

Para realizar esse trabalho inspirado nos “Doutores da Alegria” era necessário pessoas que tivessem alguma experiência com a atividade. Foi então que o irmão de João – que já trabalhou com os “Doutores da Esperança”, no Panamá – colaborou com dicas de como se comportar, que piadas e brincadeiras fazer e sobre possíveis figurinos e maquiagens. 

A inspiração do palhaço veio de um personagem chamado Clown, que não é como Bozo ou um palhaço de circo, segundo João Vitor.

“É um palhaço mais humano, que brinca e se coloca no ridículo, mas não ridiculariza o outro. Quando o Clown faz esse trabalho de promover a risada, ele na verdade se ridiculariza para o outro ficar feliz”.

O objetivo é trabalhar para que as pessoas sejam acolhidas e protagonistas das próprias histórias naquele momento onde muitas vezes há dor.

O grupo hoje conta com aproximadamente 20 integrantes mesclados entre funcionários e voluntários, e cada um carrega consigo um personagem que contém traços pessoais. Segundo Mairon Dias, ou Dr. Zoreia, há um motivo para se usar máscara ou nariz de palhaço.

“Com a máscara nós conseguimos fazer coisas que sozinhos muitas vezes a gente não consegue. A gente foge dos padrões sociais com a máscara”.

Regra fundamental

Durante as visitas uma das regras fundamentais é ter empatia e respeitar o espaço e momento do paciente, que pode ou não retribuir a brincadeira. Nathália Vendrame, a Dr. Iris, conta que já se comoveu muitas vezes. “A gente chora e chorar não é bom”. João Vitor, o Dr Titito, complementa. “É importante a empatia, nós não somos robôs, mas nós precisamos saber dosar para que as coisas sempre melhorem, porque outros pacientes também vão receber a gente”. 

Como em todo trabalho, existem regras para trabalhar no Unirisos: Primeiro é o amor. “Sem ele não dá para trabalhar. Por que a gente fala de amor? Por que nem sempre cabe a piada, mas sempre cabe o amor, que é o mais importante”, afirma João. Segundo, tem lugares no hospital que não podem ser visitados, existem áreas restritas. Terceiro, o jaleco é utilizado somente nas visitas. Por último, se a pessoa não quiser brincar, acabou a brincadeira.

Alegria de levar alegria

João resume como é trabalhar no Unirisos. “Para nós é transformador. Acredito que o altruísmo é muito forte nesse trabalho, por que você deixa algo para estar aqui, então, você tem que ser de alguma forma altruísta. Nos transforma em amor, porque você percebe pessoas em situações de leito, em um momento triste da vida, e a gente consegue promover um momento de sorriso nelas. Você conseguir transformar uma rotina de dor, falta de esperança, tristeza e até momentos em que você precisa dar uma palavra de fé pra essa pessoa, através do trabalho voluntário, é transformador”.

Duas vezes por mês o grupo se organiza para realizar as visitas, em algum dia da semana durante a noite e no sábado de manhã. O trabalho é feito com crianças, jovens, adultos e idosos. Ao final das visitas o grupo faz um feedback para pontuar os melhores momentos do dia. 

O trabalho voluntário é feito sem fins lucrativos e sem remuneração. Segundo Bianca Rodrigues, ou Dra. Cherry, o trabalho do Unirisos tem sim recompensa. “É uma troca na verdade, a gente pensa que está dando, mas na verdade a gente que acaba recebendo”.

Texto e fotos por Mariana Navarro, estudante do 4º semestre de Jornalismo.

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