O corpo ideal

O filósofo Michel Foucault explica o corpo como uma simultânea fonte de prazer individual e alvo de disciplina social, visto como uma matéria dominada por comandos mentais impedindo sua liberdade de responder às suas próprias necessidades. Para Platão o corpo é o cárcere da alma. Já na biologia se explica o corpo como constituído por pele, músculos, nervos, órgãos e ossos. Mas, afinal o que é o nosso corpo de um ponto de vista social?

No meio social é perceptível a grande influência do estereótipo nas relações humanas, o que agrava na autoimagem dos indivíduos e na sua percepção sobre seu próprio corpo.  O estereótipo padroniza aquilo que é belo com base em características vinculadas a um tipo de grupo social, que propaga uma ideia generalizada de atributos gerais.

As pessoas que não estão dentro dos atributos físicos valorizados pela cultura são descriminados de alguma forma, estabelecendo uma má imagem para indivíduos com peso acima ou abaixo dos padrões estabelecidos. Com isso, gera problemas de socialização e autoestima.

Os homens dentro desse padrão são de corpos atléticos com seu abdômen sarado dando pra contar seus gomos e o seu peitoral estufado, levemente bronzeados, tem os cabelos pretos, de olhos claros ou castanhos – um estereótipo totalmente atrelado aos gladiadores, visto como uma figura de homem forte ou até mesmo de “macho- alfa”.

No caso das mulheres o padrão é um corpo esbelto, mas não tão magro, afinal o corpo valorizado precisa de muitas curvas, com coxas malhadas e pernas torneadas, um busto médio, uma altura de 1,70 cm, silhueta alta com curvas generosas.

Giorgete Hirome Zito, psicóloga, esclarece que podem haver conflitos entre a realidade e idealização que interferem na capacidade da pessoa de interpretar seus limites,  ativando as defesas do cérebro em um sentido de assimilar e elaborar as frustrações. Com isso, gera sintomas relacionados ao sofrimento dessa inadequação em que, ao invés de superar os obstáculos, reage imobilizando-se diante do problema. O sofrimento é priorizado em relação à sua competência vital e o ser humano pode sabotar-se em relação à sua autonomia diante da vida.

Meu nome é Julia Boni

“Meu nome é Julia Boni, tenho 18 anos e eu demorei 18 anos pra me aceitar e atualmente não tenho certeza se me aceito totalmente. Eu sempre tive um misto de vergonha e exibicionismo. Tinha fases extremamente magra que me sentia infeliz, mas queria exibir meu corpo, e nas fases mais cheinha eu também era infeliz e tinha muita vergonha de mim mesma. Por conta disso, já fiz várias dietas desenvolvi bulimia e compulsão alimentar. Até hoje eu ainda tenho compulsão alimentar em fases estressantes da minha vida. É real, um problema psicológico devido a minha aparência. Tenho autoestima baixa e de tanto ficar doente e passar mal, eu precisei entender quem eu era e que eu não sou magra como queria ser, mas me sinto ok com isso, ainda não estou 100% satisfeita com meu corpo, ainda tenho crises de compulsão alimentar, mas parei de querer ser algo que eu não sou.”

Meu nome é Carla De Andrade

“Meu nome é Carla De Andrade, tenho 19 anos, sempre gostei do meu corpo e nunca foi algo que me incomodou. Sim, sempre me aceitei! Nunca fiz dietas nem nunca tive doença psicológica, e nem sequer tomei remédio, pelo contrário, quando as pessoas me veem pela primeira vez sempre me perguntam isso. Acho que por ser “magra” isso possa gerar interesse nas pessoas saberem. Me sinto muito bem e satisfeita com ele, apesar de saber que nosso corpo está em constante mudança, é muito importante que todos nós aceitássemos isso. Aliás, é uma das coisas que sempre escutei de minha mãe, quando reclamava de meu corpo. Nosso corpo é algo mutável, na infância se tem um corpo, na fase da adolescência nosso corpo passa por mudanças bem significativas e tudo começa a partir daí. Quando chegamos à fase adulta é preciso aceitar-se de fato e entender que existem cuidados mais que especiais, pois não podemos exagerar em determinados alimentos. Me sinto confortável com as roupas de banho ou coisa do tipo, mesmo que às vezes possa gerar algumas piadas por ser “magra demais”. Prefiro pensar que são pessoas que gostariam de ter um corpo magro. Tem também aqueles que fazem piadas de mau gosto, só pra irritar mesmo…”

O autoconhecimento nos leva à desconstrução de estereótipos estabelecidos em nós mesmos, faz com que o indivíduo pare de tentar se encaixar nos padrões e foque nos seus gostos e preferências pessoais, facilitando a sua realização pessoal e a sua saúde.

Texto por Willian Meneguini.

Fotos por Sérgio Oliveira Tanaka – Laboratório de Rádio, Foto e TV – UniToledo.

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