Quem decide é a Rainha: as enxadristas de Araçatuba

A paixão pela modalidade no coração de uma mulher que influencia cada vez mais jovens a jogar xadrez.

Por Bruna Barcelar, estudante do quinto semestre de Jornalismo – UniToledo

Arquivo Pessoal: Da esquerda para a direita: Samara, Ivone e Vitória (sentadas); e Yara e Tais (agachadas).

Um aperto de mão, a pausa no relógio, assinatura das planilhas, a revisão da cartada final, uma frase confortante do lado vitorioso, o coração mais calmo, talvez não. É hora de recolher as peças, o jogo terminou. De um lado um sorriso eminente, do outro, um sentimento de abalo; a resposta de quem ganhou nem precisa ser dita, os elementos faciais se encarregam em fazer esse trabalho. Após a saída da mesa de batalha, o carinho da treinadora e da equipe sempre vêm independentemente do resultado, as sugestões também!

Momentos como esse são bastante vivenciados a cada campeonato pelas enxadristas Taís, Samara, Yara e Vitória, que são algumas das atletas mais novas que representam a equipe feminina de xadrez da cidade de Araçatuba, no interior de São Paulo. Cada uma delas teve conhecimento dessa modalidade por meio de uma professora que coincidentemente se apaixonou pelo xadrez no mesmo local onde começou a ensinar seus alunos, na escola.

Todos nós somos recém-chegados

Arquivo Pessoal: Ivone Aparecida Paulino.

Ivone Aparecida Paulino, 39 anos, é formada em Educação Física e desde o início da faculdade seu objetivo era prosseguir na área voltada para a educação infantil, mas nunca imaginou que seria no xadrez que ela encontraria essa possibilidade. Após ingressar em uma rede de ensino pública, na qual trabalha atualmente, uma aluna manifestou interesse em participar de um campeonato de xadrez que acontecia entre as escolas. Ivone, que só tinha conhecimento básicos dessa modalidade, adquiridos durante o ensino superior, foi em busca de conhecer como funcionavam os campeonatos. Após uma pesquisa inicial, ela formou a sua primeira equipe e foi nesse instante que o xadrez fez um contato maior. Desde então o amor pela modalidade e pelos campeonatos vem tomando cada vez mais espaço.

O crescimento foi visível: a Secretaria Municipal de Esportes da cidade de Araçatuba foi até ela e pediu que montasse um time de xadrez feminino, já que a cidade sempre pagava por contratantes residentes de outros municípios. Foi então que o amor floresceu e ela continuou a participar, a jogar e a montar um projeto. Ivone começou do básico, estudando em livros, na internet em sites de jogos online, aprofundando seus conhecimentos desde aberturas de jogos, estratégias, ao desenvolvimento completo de jogo, anotações em planilhas, jogos com relógio, além de se aperfeiçoar cada vez mais. Foi então que ela procurou ir além, buscou pela especialização do xadrez e estudou muito para o concurso de Técnico Esportivo, e conseguiu, além de fazer mais uma faculdade de Educação Física, mas dessa vez Bacharelado.

Ivone conta que o xadrez só lhe proporcionou coisas boas, passou a ser mais concentrada, ação que antes era impossível, melhorou o seu raciocínio, além de lhe ajudar em aspectos sociais como o conhecimento de novas pessoas através dos campeonatos, que ocorrem em várias cidades. Conheceu de enxadristas iniciantes até os mestres mais renomeados, obteve grandes experiências nessas competições.

“A comunidade enxadrista é uma comunidade totalmente diferente das outras modalidades, porque são pessoas que prezam pela cultura, pela inteligência, não que as outras não façam isso, pois todas exigem algum tipo de estratégia, mas nas outras modalidades o que prevalece é o físico, no xadrez é puro raciocínio. São escolhas e uma escolha errada pode entregar todo o jogo, assim é a vida também, então foi um marco na minha vida”, conta a professora.

O tempo se encarregou de fortalecer a paixão pela modalidade e a técnica esportiva já fez várias entrevistas para rádio e para televisão e já recebeu várias homenagens.

Ivone levou e leva esse conhecimento cada vez mais aos seus alunos, tanto na escola quanto no projeto e a cada um que queira aprender.

Arquivo Pessoal: Ivone Aparecida Paulino dando aulas para as crianças na praça Getúlio Vargas, Araçatuba/SP.
Arquivo Pessoal: Ivone dando aula para as crianças, na escola.

E foi ensinando assim que ela conheceu as alunas Taís, Samara, Yara e Vitória, que são algumas das atletas atualmente que representam a equipe feminina de xadrez da cidade de Araçatuba.

Arquivo Pessoal: Da esquerda para a direita – Ivone, Tais, Vitória, Samara e Yara (agachada).

Enxadristas mirins

Taís, Samara, Yara e Vitória são amigas que se conheceram através da escola e pelo xadrez. Foi por meio da professora Ivone que elas tiveram um primeiro contato com a modalidade. Assim como a professora, elas também passaram a gostar do esporte e não bastando representar o time escolar, com um belo desempenho, passaram também a corresponder ao time feminino de xadrez de Araçatuba/SP. Elas, que só têm idade entre 13 a 16 anos, já guardam uma numerosa quantidade de medalhas e troféus.

Arquivo Pessoal: Da esquerda para a direita: Ivone, Vitória, Yara (em pé); e Samara e Tais (agachadas).

Os campeonatos

“Cada viagem é uma coisa inexplicável de se falar, os jogos são uma tensão, mas nada supera a alegria de quando você dá o Xeque mate”, contou Samara Marcelino, de 16 anos.

Todas elas responderam que os campeonatos são as melhores experiências; conhecem lugares novos, fazem amizades com enxadristas de outras cidades, além de outros atletas e muitos mestres famosos. Vitória Menezes acredita que o maior reconhecimento que elas podem ganhar são os auxílios atletas que a Secretaria de Esporte de Araçatuba concede a elas todos os meses.

“O auxilio são nossas maiores conquistas, já que é a retribuição de todo nosso esforço”, afirmou Vitória.

Ainda ressaltaram que o xadrez trouxe muitos benefícios, tanto nos aspectos socias, quanto no ambiente escolar, além de múltiplas experiências.

Mulheres no xadrez

Segundo a técnica esportiva Ivone Paulino, ela acredita que o número de mulheres enxadristas ainda é muito inferior aos homens e que essa dificuldade de inserção seja porque o xadrez é um jogo muito masculinizado.

“Onde que em uma sociedade completamente machista uma mulher pode pensar, pode tomar suas próprias decisões? Acredito que isso seja um empecilho para o xadrez feminino crescer, as mulheres muitas vezes não acreditam que elas conseguem pensar, raciocinar e criar estratégia, essa é a minha visão crítica”, declarou a técnica.

A professora afirma que para reverter essa situação é preciso muito incentivo, mas também determinação, e é o que ela exercita em todas as suas alunas.

Gostou? Quer saber mais sobre a história do xadrez? Acesse o link e bom conhecimento!

https://www.soxadrez.com.br/conteudos/historia_xadrez/

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