Fanfictions: as histórias não terminam no “Fim.”

Criatividade, imaginação, paixão, vontade de ler algo a mais sobre aquela história que amamos. Conheça um pouco mais sobre as Fanfics, histórias que vão muito além do mundo real.


A Geração Z, que considera os nascidos entre 1994 e 2010, também é conhecida como a geração que deixou de mentir para os pais para sair de casa e passou a mentir para os amigos para ficar em casa. A geração das desculpas para não ir aos compromissos adolescentes. A geração que prefere as mídias sociais a deitar na rede e conversar pessoalmente com os amigos.

O mundo na internet parece muito mais atrativo e divertido. Os jogos, as séries, os stories do Instagram, os filmes, os animes, as músicas, os podcasts, as fanfictions, a internet e suas mil e uma utilidades parecem cada vez mais interessantes do que a vida real aos olhos de muitos jovens que compõem essa geração.

A internet impulsionando os fãs

Com o advento da internet a comunicação passou a ser mais fácil, mesmo a longas distâncias, e foi assim que os fãs cresceram na sociedade. As redes sociais deram mais acesso à vida dos ídolos que tempos atrás, quando eram vistos apenas em revistas, entrevistas na televisão, clipes, shows e nos pôsteres colados nas paredes dos quartos adolescentes.

Com as redes sociais tornou-se possível acompanhar o dia a dia dos ídolos: os stories no Instagram permitem assistir quase em tempo real aquilo que os famosos estão fazendo; o Twitter possibilitou a interação de milhares de fãs com seus ídolos, sem contar todas as outras redes sociais. Elas têm um poder de fazer os fãs sentirem-se quase melhores amigos daquela pessoa especial.

E foi assim que admiradores de bandas, cantores, livros, séries, atores, animes, jogadores, apresentadores, e muito mais, começaram a perceber que novas possibilidades foram abertas, e dessa forma passaram a escrever e a ler Fanfictions.

Mas afinal, o que são Fanfictions?

Fanfictions, fanfics ou fics, é a junção de Fan – Fãs com Fiction– Ficção, ou seja, são ficções escritas por fãs. São o desejo de continuar histórias que já terminaram ou de imaginar como poderiam ser. São disponibilizadas de forma gratuita, possibilitando o acesso de todos que se interessarem por aquele assunto.

O termo é novo, mas essa ideia já existe há muito tempo, pois na década de 60 já existiam histórias escritas por fãs sobre Star Trek, uma grande franquia de sucesso.

Nas fanfics os fãs utilizam de toda criatividade e imaginação possível para retratar aquilo que eles acreditam sobre determinado assunto. Juliana Souza, leitora e escritora de fanfics, conta como esse universo literário influenciou sua vida: “Foi de uma maneira muito boa, sempre gostei muito de ler, mas às vezes eu não me contentava só com as obras originais. Eu buscava algo a mais dentro daquele universo, queria ver os meus casais favoritos interagindo da forma que eu imaginava, e foi aí que as fanfics surgiram e eu me deixei levar nesse universo onde eu posso ler/escrever livremente usando os meus personagens favoritos de obras de outros autores.’’

A leitura e escrita pela internet /Foto: Banco de Imagens Online

As Fanfics Interativas: o novo mundo

Os Fandoms, palavra que surgiu a partir dos termos Fan- Fãs e Kingdom – Reino, passaram a não contentar-se mais com apenas escrever/ler sobre personagens que já existiam e foi assim que surgiram as ‘’s/n’’ – personagens com seu nome -. Esse método tem como objetivo fazer com que o leitor sinta-se ainda mais dentro da história, era como se seu ídolo falasse diretamente com você.

A técnica foi aprimorada e surgiram então os sites que possuíam ferramentas para que você escrevesse de fato o seu nome e características. Histórias disponibilizadas em um dos maiores sites de fanfics do Brasil, o Fanfic Obsession, que comemorou no dia 5 de Dezembro de 2019 10 anos de criação, interagem com perguntas como ‘’Qual o seu nome?’,’ ‘’Qual a sua idade?’’, ‘’Que cor são seus olhos?”, ‘’Qual o nome da sua melhor amiga?” e outras. Elas surgem na tela para tornar possível uma imersão ainda maior dentro das histórias, inserindo você ali, com todas as suas características, vivendo romances, aventuras, suspenses, esbarrando com o seu ídolo em uma franquia de cafés e muitas outras situações que por muitas vezes nós não somos capazes de imaginar.

O Fanfic Obsession versão mobile/ Foto: Isabella Melo

Fanfics como incentivadoras da leitura

As Fics foram muito além de simples histórias escritas por fãs, elas alcançaram o mesmo patamar que livros físicos. Foram grandes responsáveis por manter milhares de jovens fixados em histórias, virando noites e mais noites só para saber o que aconteceria no próximo capítulo, responsáveis por fazer adolescentes chorarem, se emocionarem, comemorarem e acima de tudo um refúgio capaz de tirá-los da realidade, que nem sempre é 100% boa, e levá-los ao mundo da imaginação.

Nesse mundo tudo é possível, até mesmo o apresentador Fausto Silva ter um relacionamento com a cantora Selena Gomez. Pois é exatamente isso que acontece na Fanfic ‘’You are my love, my destruction’’, escrita por Erika Mathias em 2014. O primeiro capítulo conta com mais de 110 mil visualizações.

Além disso, as Fanfics também se tornaram a iniciação de muitos adolescentes no mundo da leitura. A interatividade, os assuntos que eles mais gostam, a facilidade para encontrar e ler, o acesso para todos e vários outros motivos fizeram com que muitos jovens começassem a se interessar mais por livros a partir das Fics.

Isabela Laureto, também fá de fanfics, conta que ‘’nunca fui fã de leitura quando era mais nova porque não tinha achado nada que me despertasse interesse, mas depois que eu descobri as Fanfics interativas meu coração derreteu pela leitura.’’ Ao contrário de Isabela, que não se sentia muito atraída pela leitura antes de conhecer as Fanfics, Tamires Oliveira Martins sempre gostou de ler, mas passou por alguns problemas financeiros e encontrou no mundo das Fics uma forma de não perder o hábito, como relata. ‘’Sempre gostei muito de ler, mas como passei por situações financeiras ruins quando criança, acabei lendo mais fanfics do que livros propriamente ditos, então realmente me ajudaram a não parar com o hábito da leitura.’’

Ou seja, gostando ou não de ler, foram as fanfics que abriram novas possibilidades para as duas garotas, assim como para muitos outros jovens. E não foi só o mundo da leitura que se abriu, o da escrita também.

Além das fanfics / Foto: Banco de Imagens Online

A descoberta da escrita de forma ainda mais criativa

As Fanfictions são uma forma de continuar ou criar histórias a partir de algo que já existe. Entretanto, muitos adolescentes não se contentaram em apenas ler, pois não era mais o suficiente para tudo aquilo que eles eram capazes de imaginar e foi assim que muitos se descobriram no mundo da escrita.

A autora Bruna Garret / Instagram pessoal (brunagarret)

A autora Bruna Garret, de histórias originais publicadas online como ‘’Harsh’’, ‘’SIX’’, ‘’SAGE’’,’’Broken Us’’, ‘’SILAS’’ e ‘’DEAN’’, afirma que começou a escrever a partir de fanfics. ‘’Meu interesse pela escrita veio ainda nessa época (aos 12 anos, quando conheceu as fanfics). Nunca encontrei nada que me agradasse 100% ou tomasse o rumo que eu gostaria nas fanfics que eu lia. Sempre tinha uma ou outra coisa que me tirava do sério, ou alguma história que eu gostaria muito de ler, mas não achava em nenhum lugar. Minhas amigas decidiram criar uma fanpage para a banda inglesa One Direction, que fazia grande sucesso na época, e como eu vinha querendo escrever uma fanfic para ficar do meu jeitinho, perguntei se poderia entrar pra compartilhar o que eu escrevia. Era um desastre, sinto até uma vergonha alheia, mas hoje agradeço muito por isso, porque acho que nunca teria compartilhado nada do que escrevo com o mundo até hoje se não fosse pela dose de coragem daquele dia.’’

As ficções escritas por fãs influenciaram muitos jovens de maneira positiva, abriram as portas da escrita para diversos deles como contam:

Laura Mello: ‘’Se eu não gostasse de fanfic, talvez não teria começado a escrever e não teria escrito os primeiros contos em que eu me sentiria incentivada a ser escritora. Foram as fanfics que influenciaram minha escolha de carreira e até hobbies. ‘’

Vicky Rodrigues: ‘’Me abriram um mundo de leitura completamente inesperado, me ofereceram um refúgio da vida real e me inspiraram a ser escritora ‘’

Natália Ferreira: ‘’Elas abriram espaço para que eu pudesse me expressar através da escrita, colocando sentimentos nos personagens que muitas vezes nem percebia ser o que eu mesma sentia’’

Samara Alcantara: ‘’As fanfics não foram só um meio de entretenimento pra mim. Conhecer elas abriu pra mim o caminho para realizar um sonho. Desde pequena sempre quis ser escritora, e ter contato com as fanfics me deu a força que eu precisava pra praticar a escrita e poder mostrar minhas ideias pro público, sem precisar passar por toda burocracia de enviar um livro pra uma editora.’’

Mateus Vieira: ‘’Depois de ler, eu comecei a escrever. Foi uma das primeiras coisas que escrevi na vida e me influenciou bastante, porque é uma coisa que eu realmente gosto de fazer até hoje, mesmo não escrevendo mais fanfics’’

E não termina por aqui. As fanfics também foram motivadores de mudanças pessoais e sociais na vida de muitos leitores e escritores.

Um refúgio no mundo da ficção

O bullying, a não aceitação de si mesmo, as dificuldades financeiras e pessoais, a busca por aprovação, os padrões irreais de beleza, a falta de amor próprio, tudo isso aflige muitos jovens da Geração Z, que segundo pesquisa do MECA Journal, é o grupo etário mais suscetível à ansiedade e à depressão.

Muitos deles relatam que encontraram nas Fanfics um refúgio de tudo isso, um lugar onde eles poderiam esquecer o mundo real e viver uma vida totalmente diferente. Por isso, as fanfics são muito mais que apenas histórias, elas são sonhos escritos, um mundo que muitos desejam que fosse real.

A maioria dos jovens se sente sozinhos, assim como a fã de fanfics Fernanda Fernandes, que relata que ‘’às vezes, quando eu me sentia sozinha passando pela adolescência, eu ia ler fanfic. Querendo ou não, muitas autoras ajudaram no meu crescimento. E era uma delícia “viver“ os romances e as dores das histórias que eu lia. Deixava a vida menos ordinária.’’

A depressão, que é considerada a doença do século, não passa longe dos leitores, e muitos deles relatam tais experiências. “Passei por um momento de depressão (por volta dos 25 anos de idade) em que elas me ajudaram a me manter distraída dos pensamentos negativos”, diz Clarissa Silva. ‘’Me ajudaram a passar por um período de depressão, onde eu tentava esquecer os problemas em volta e mergulhava no meu mundo fantasioso’’, lembra Cintia Verdan.

“Você lê e sofre. Você lê e ri. Você lê e engasga. Você lê e tem arrepios. Você lê e a sua vida vai se misturando no que está sendo lido’’, já diria Caio Fernando de Abreu. Dessa forma as histórias tornam-se refúgios, abrigos do mundo real, um lugar para onde ir quando tudo parece não dar certo, porque nas histórias a maioria dos finais são felizes.

O amadurecimento dos leitores


Fonte: Isabella Melo/Google Forms

Fonte: Isabella Melo/Google Forms

Os gráficos acima foram feitos a partir de uma pesquisa online por meio de entrevista com mais de 500 consumidores/autores de fanfics. Ao analisar os gráficos, é possível notar que a maioria dos leitores entrevistados (84%) conheceu as fanfics quando tinham entre 12 e 14 anos e que nos dias atuais a maior parte deles (68,5%) já possui entre 19 e 25 anos. Ou seja, esses jovens cresceram lendo fanfics, entraram e saíram da adolescência ainda absortos em mundos fantasiosos sobre os ídolos, as fanfics fizeram parte do processo de amadurecimento desses jovens, mas será que elas influenciaram em algo?

Jaqueline Santos Rodrigues respondeu que é uma dessas adolescentes que conheceu as fanfics quando ainda tinha entre 12 e 14 anos e continua lendo até hoje, com 19 anos. Ela diz que as fanfics tiveram sim muita influência no amadurecimento dela como pessoa. “Tiveram e muito, eu fui criada em uma família extremamente conservadora e as fanfics me abriram os olhos para um mundo totalmente diferente, cheio de oportunidades e opções.’’

Jéssica Gadelha também passou pelo processo de amadurecimento com as fanfics, sendo elas uma forma de conhecimento do mundo que a levou a sonhos que ela nem imaginava. ‘’Eu cresci lendo fanfic. Uma menina de treze anos, que morria de preguiça de ler, de repente encontra esse lugar mágico onde todas suas “ah, isso deveria ter ocorrido assim” são realizadas… era um sonho e continua sendo um. Ler fanfictions me empurrou a ler poesia, a aprender sobre mitologias esquecidas, a conhecer outros costumes e saber mais sobre demais países. De leitora passei a ser escritora de minhas próprias fanfictions. Ler abre a mente. Independente do que seja. Seja bom ou mau, ele te dá uma lição. A quantidade de coisas que aprendi ao longo dos anos… Levo no coração. Seja a ser mais tolerante, seja a respeitar o próximo, seja a aprender mais português de uma forma que a escola não ensina, ou a ler sobre a história do mundo porque determinada fic te instigou a isso… Para aqueles que acham que fanfic é bobagem, pra mim é o completo oposto!’’

Além disso, as fanfics também são capazes de ajudar na vida escolar. Natália Pires contou que além de leitora também é escritora e que as fanfics ajudaram ela com a língua portuguesa e até mesmo a ter mais conhecimento para realizar as redações propostas nos vestibulares e que isso ainda se reflete na escrita dela na faculdade.

As fanfictions são capazes de abrir portas que nunca imaginaríamos, são capazes de ensinar, de ajudar no processo de amadurecimento, de contar histórias impossíveis, até mesmo de ajudar em escolhas que podem mudar uma vida e dizer: todos os sonhos são possíveis, assim como conta Taísa Lima Lopes. ‘’Elas abriram o mundo pra mim, me aproximaram de outros países e me fizeram sonhar mais alto. Depois de algumas fics que se passavam em Londres, decidi fazer um intercâmbio (mas foi no Canadá) e agora estou me preparando para um mestrado na terra da Rainha. Se não fosse pelas fics, duvido que teria sonhado tão alto. E muito menos que acreditasse que realizar esse sonho é possível.’’

O machismo, a rivalidade feminina e outros temas polêmicos

Como todos os produtos feitos pela sociedade, as fanfictions também têm alguns pontos negativos, mas que estão sendo corrigidos. Antigamente, era mais comum encontrar nas histórias representações de machismo que já estavam enraizadas na sociedade há muito tempo, por muitas vezes quando estávamos lendo nem éramos capazes de notar o quanto certas situações poderiam ser problemáticas. 

Entretanto, os leitores e escritores cresceram e a visão de mundo deles também. Por isso, nos dias atuais, é mais difícil encontrar fanfics que são claramente machistas, com rivalidade feminina explodindo aos olhos e outros temas polêmicos sendo abordados de maneira errada.

Como disseram os entrevistados, as fanfics ajudaram a moldar os jovens em vários aspectos da vida, inclusive na visão que eles têm da sociedade. Os relacionamentos também são um assunto que está em 99% das fanfics, parte deles acabam reproduzindo comportamentos abusivos, que é um assunto que está em grande parte das discussões dos dias atuais.

Raíssa Tavares, de 27 anos, conhecida também como Ray Tavares, é autora de “Os 12 Signos de Valentina”, “Heroínas”, “Confidências de Uma Ex-Popular”, “Hacker”, “Noiei”, “Nuts!”, “Travessia”, “Gossip Boys”, “Amor de Verão”  e “Carta aos Astros”.

A autora Raíssa Tavares / Foto: Instagram pessoal (@rayctjay)

Ela conta que as fanfics normalizavam sim assuntos como machismo, rivalidade feminina e relacionamento abusivo e também conta um pouco sobre como se sente sobre isso sendo escritora.

‘’Éramos todas adolescentes que estavam repetindo comportamentos de histórias que acompanhávamos desde crianças, desde contos de fada em que o objetivo principal da mocinha era conquistar o garoto, até a novela Rebelde, toda moderninha em alguns aspectos, mas super problemática em outros. Eu não sei se posso julgar, porque todo mundo estava no mesmo barco, e era de fato normalizado. Eu, por exemplo, já reproduzi cenas de garotos puxando garotas pela braço, de ciúme como sinônimo de “amor”, dentre outras coisas. Mas, felizmente, a gente cresceu e percebeu as cagadas que cometemos, muitas de nós tiramos as histórias do ar, outras reescreveram, enfim… Tentamos mostrar que aquilo não era e nem deveria ser normal! Além disso, e é o que mais me alegra, as adolescentes de hoje possuem outra consciência, e eu acho isso lindo! Agora, quase aos 27 anos, eu procuro SEMPRE passar uma mensagem positiva nas minhas histórias, procuro SEMPRE abordar temas que considero relevantes e importantes, como machismo, racismo, homofobia, desigualdade social, relacionamento abusivo, corrupção, porque acho que, mais do que entreter, um livro precisa transformar, e procuro sempre seguir com essa crença.’’

Além disso, as fanfictions também foram responsáveis por conscientizar e alertar os jovens sobre esses assuntos. Antes de ler sobre, muitos deles nem sabiam como poderiam ser problemáticos, assim como Natalina Menezes. ‘’Algumas falavam de assuntos extremamente importantes como racismo, relacionamento abusivo, feminismo, aborto, e foi através desse canal que tive o primeiro contato com essas temáticas, o que sem dúvidas desconstruiu muito do que eu achava certo ou errado, me alertou sobre situações que não devem ser consideradas normais e aceitáveis e assim por diante.’’

Hevellyn Camargo também é um exemplo positivo de como as fanfics podem ajudar e conscientizar os jovens na vida real. ‘’Com o passar do tempo, tendo mais contato com o feminismo, eu comecei a ver o quão ruim o machismo era e me influenciou demais em minha vida. Minha irmã teve um relacionamento abusivo e fui a primeira pessoa a explicar pra ela que ela poderia fazer um B.O e como superar isso. Acredito que ter lido casos como relacionamentos abusivos, machismo e outros, me fez entender hoje que ninguém precisa suportar isso.’’

Da internet para as prateleiras

As fanfics não ficaram somente na internet, muitas delas mostraram grande potencial e foram adaptadas para histórias originais.

Além de celulares e computadores, elas também conquistaram espaços nas prateleiras e recentemente até mesmo nas telas do cinema, como aconteceu com “After” de Anna Todd, que inicialmente era uma fanfic da banda britânica, One Direction.

Capa do livro ‘’After’’ de Anna Todd. / Foto: Divulgação

As escritoras brasileiras também não ficam para trás. Raíssa Tavares, já citada acima, começou no mundo mágico das fanfics, principalmente as que envolviam a banda McFly. Ela publicou diversas fanfics online como: Gossip Boys, uma mistura da banda McFly com a série Gossip Girl, ou seja, uma junção de duas coisas que Ray amava muito, mas que dificilmente seriam colocadas juntas no mundo real.

A partir das fanfics, Ray Tavares ingressou no mundo da escrita com histórias originais, e hoje em dia ela possui três livros publicados pela Galera Record: “Os 12 signos de Valentina“, “Heroínas” e “Confidências de Uma Ex-Popular” e mais um livro físico será publicado em 2020.

Já na Amazon, plataforma que permite a publicação de E-books, a autora possui “Hacker“. Além disso, no Wattpad, o perfil de Ray conta com “Noiei”, “Nuts!”, “Travessia”, “Gossip Boys”, “Carta aos Astros” e “Amor de Verão”, esta última é uma fanfic em andamento sobre a banda One Direction.

Os livros publicados da Ray/ Foto: Instagram (@entrepaginaslinhas)

Raíssa também conta que a publicação de seus livros é um sonho realizado. “Por mais que escrever na internet seja incrível, publicar os meus livros foi um sonho realizado, um sonho que a Ray de 13 anos pedia todas as noites aos astros, ou alguém que estivesse ouvindo.”

As fanfics foram para muitas autoras a porta de entrada para a profissão dos sonhos. Ser escritora. Mudar o mundo através das palavras, influenciar e conscientizar pessoas, ensinar, entreter. As fanfics são sonhos que por alguns momentos tornam-se reais. As fanfics são a representação do amor puro dos fãs, do desejo de que aquelas histórias, momentos, bandas, nunca acabem.

“Ouço muito que as minhas Fanfics fizeram com que as meninas tomassem gosto pelos livros, e não sei nem como me sentir em relação a isso. Felicidade, sabe? Esperança. Otimismo. Uma sociedade que lê é uma sociedade melhor, eu realmente acredito nisso, e fazer parte dessa transformação, mesmo que só um pouco, me deixa completamente realizada”, finaliza Raíssa Tavares.

Por isso é necessário quebrar os preconceitos com histórias escritas por fãs, é necessário dar a elas uma chance. Você pode encontrar qualquer assunto, qualquer casal, qualquer situação e se não encontrar, que tal fazer como os exemplos citados durante toda a reportagem e escrever suas próprias histórias? Não existem limites para a imaginação.

Explore o mundo fictício, explore sua criatividade e seu amor. Enxergue e faça o mundo enxergar que o amor de fã é incrível e que nada é impossível.

Texto por Isabella Melo, estudante do 5º semestre de Jornalismo.

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Libere sua criatividade!/ Foto: Banco de Imagens Online

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