Por dentro das raves

Thalita, estudante de Psicologia, conta que mudaria o conceito que algumas organizações e algumas pessoas têm sobre o trance. “O trance, no real sentido da palavra, é união, amor e respeito.”

Rave é um termo em inglês que significa “delírio” e no Brasil é usado para denominar festas eletrônicas que costumam varar a noite, com diversas atrações, intervenções, música boa e muita gente. O Brasil conheceu sua primeira grande rave em 1988, a Fusion, que reuniu cerca de oito mil pessoas e muitas atrações. A partir daí os números e festas não pararam de crescer, umas das mais antigas que se perpetua até os dias atuais é a Xxxperience, que teve sua primeira edição em 1996.

Foto: Facabook “XXXPERIENCE Festival
Vegas – Xxxperience 2019 – Foto: Facebook “XXXPERIENCE Festival

A festa rave emprega milhares de pessoas, desde o DJ que vai tocar até a pessoa que vai ficar no bar, muitas famílias são sustentadas com esse dinheiro, além disso, muitas festas pedem 1 kg de alimento ao entrar e depois doam esses alimentos a entidades de suas regiões.

Jéssica tem 22 anos e desde seus 18 freqüenta rave, como conta a seguir:

Conheci a cena em 2014 através de alguns vídeos no Facebook, do festival Mundo de Oz, me encantei por tudo aquilo, mas ainda nem sabia e nem entendia o que era. Fui pesquisando mais músicas e conhecendo pessoas pela região que gostavam. Em 2015 tive o primeiro contato com um role, não foi primeiramente uma rave, mas exatamente roles de trance dentro do Corina Pub, onde conheci muita gente, em novembro fui à minha primeira rave, a Mukunda3 em Araçatuba.”

Festival mundo de Oz – Foto @coletiva.a.mente

A música eletrônica e o interior

A cena eletrônica no interior de São Paulo vem crescendo cada vez mais, Fabrício ‘Chapeleiro’ Beraldi que, é DJ com mais de quinhentos mil inscritos em seu canal do YouTube, mais de um milhão e trezentos mil curtidas em sua página no Facebook vem investindo em festas na cidade de Araçatuba – SP. Perguntado sobre como é investir nesse tipo de evento, Fabrício disse:

Tento diluir ao máximo o acesso ao bolso dos nossos clientes, hoje tudo é inflação, mas não estou deixando ser corrompido pelo sistema, mantenho o respeito pelo público porque não é inflacionando o custo para um cliente que eu vou conseguir algo, respeito é o mínimo que tenho que ter.”

E o Chapeleiro? Como é conciliar a profissão DJ e Produtor de Eventos?

Quando eu comprei essa causa, me questionei até que ponto o Chapeleiro poderia influenciar nisso, se poderia atrapalhar o desenvolvimento da carreira durante todo esse lance de fazer festas, mas descobri que se eu fizer o bem no meio de toda essa loucura que é fazer uma rave, então é porque eu consegui. Cheguei onde eu queria chegar, manter a sintonia entre as pessoas, mantendo a cultura.Influencie o mundo com amor e música que tudo vai dar certo.”

Chapeleiro – Xxxperience 2017 Foto: Facebook “Chapeleiro”
Chapeleiro – Happy Holi, Brasília. – Foto: Facebook “Chapeleiro”

Jessica também viu um mercado dentro dessas festas, com excursões e venda de convites. “Eu faço excursões bem antes de entrar pra cena trance, fazia para shows na região, depois de uns oito meses freqüentando as festas vi que muitas pessoas procuravam excursões pra algumas festas e não tinham quem fazia, então tomei a frente, assim conhecendo muitas organizações, e logo entrando pra equipe de promoters também, já faz três anos que iniciei nessa parte e hoje posso dizer que tenho uma credibilidade com muitas organizações de SP.” Foi assim que ela criou a “Trip Zen Excursões”, levando o pessoal a várias festas em todo país.

A verdadeira essência da festa rave

A diversidade nesses ambientes é imensa, pessoas de todo o Brasil, todas as cores, gêneros, cor, classe econômica, todos juntos em um único tom, com uma coisa em comum que é se desprender da loucura da vida, renovar as energias.

Thalita, estudante de Psicologia conta que mudaria o conceito que algumas organizações e algumas pessoas têm sobre o trance. “O trance, no real sentido da palavra é união, amor e respeito.”

União e solidariedade. Foi assim que Jéssica conseguiu ajudar ONGs que cuidam de animais abandonados, questionada sobre como surgiu essa ideia ela disse.“Bom, eu tenho 12 bichos em casa, né, sempre ajudei o pessoal das ONGs, seja financeiramente com doações ou ajudando achar um lar pros bichinhos. Então teve uma excursão que  fui comprar um saco de ração por conta própria para ajudar e vi que com o troco do pessoal daria para comprar mais 3 sacos, então dei a ideia e todos concordaram. Às vezes mesmo não sobrando troco o pessoal me dá uma doação para colocar na caixinha das rações.”

Texto por Mateus Fernandes Barbosa, estudante do 5º semestre de Jornalismo.

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