Populares e perigosas, as fake news pegam carona na pandemia

Por: Carol Oliveira, Jonathan Alves e Maria Eduarda Ramos

Com o surto do COVID-19, a população em geral alimenta uma velha antagonista do trabalho jornalístico nos últimos anos: as fake news. O medo da pandemia do coronavírus toma proporções que desencadeiam uma série de atitudes que vão contra as recomendações dos órgãos de saúde nacional e mundial. Chás, compostos naturais e até tutoriais para a confecção de equipamentos médicos disseminam muitos desses conteúdos compartilhados nas redes sociais.

As receitas caseiras pautadas no senso comum são as que mais viralizam, e na ânsia de prevenir e até curar quem está infectado com o coronavírus, as pessoas espalham desinformação na mesma velocidade com que o vírus acomete os mais vulneráveis.

Um dos exemplos compartilhados nas redes sociais e pelos grupos de Whatsapp foi o gargarejo com vinagre e sal, que eliminaria o vírus que está causando tosse seca na maioria dos casos. 

(Publicação do Facebook sobre como “curar” o vírus com gargarejo de vinagre e sal – Fonte: O Observador)

Segundo o virologista Rômulo Neris, em trecho de reportagem publicada no portal G1, a mensagem é mentirosa. “Baseiam-se no fato de que a gente tem um sintoma, que é, de fato, o incômodo na garganta por causa da tosse e, a partir disso, constroem um raciocínio que é todo falso. A mensagem diz que o vírus fica quatro dias na garganta antes de ir para o pulmão. A presença do vírus na garganta não significa que ele está só ali nem significa que o vírus se prolifera na garganta antes de chegar ao pulmão. Para a pessoa estar sentindo os sintomas é porque ela já tem o vírus em múltiplas partes das vias aéreas. Não existe nenhum indício de que o gargarejo com vinagre, sal e água morna seja capaz de eliminar o vírus.”

Outra Fake News que circulou logo nos primeiros dias da pandemia no Brasil foi a receita para fabricar álcool em gel caseiro com o uso de ingredientes comuns, como gelatina. O pânico causado pela falta do produto nas prateleiras dos grandes distribuidores levou muitas pessoas a cogitar a ideia de fazer o seu próprio álcool em gel, ignorando todas as diretrizes sanitárias. 

(Receita caseira de álcool gel – Fonte: Correio Braziliense)

Em nota oficial, o Conselho Federal de Química (CFQ) alerta que “algumas receitas caseiras estão circulando na internet e, em geral, recomendam a produção do álcool em gel a partir do álcool líquido concentrado. O CFQ preza pela segurança da população brasileira, por isso, não recomenda essa prática tanto pelos riscos associados quanto por confrontar a legislação brasileira.” e ainda esclarece “os produtos industrializados passam por rigoroso processo de produção, onde há padrões a serem seguidos, todas as etapas são monitoradas e passam por controles de modo a haver padronização, regularidade e qualidade dos produtos disponibilizados ao consumidor final. Já o álcool em gel fabricado a partir de receitas e métodos caseiros não passa por nenhum controle de qualidade, por isso sem garantia de eficácia.”

Em entrevista ao site IstoÉ, a dermatologista Natasha Crepaldi orienta que “a maioria dessas produções caseiras são feitas com água quente ou com produtos quentes, então o risco de mexer com álcool perto do calor é altíssimo”, diz Natasha.

É notável que as diversas fake news sobre o novo coronavírus foram disseminadas mais rapidamente do que o próprio vírus no país. Na maioria das vezes, a desinformação acabou proporcionando um avanço maior na contaminação do vírus, ao invés de fornecer ajuda.

O Ministério da Saúde em combate contra as fake news, disponibilizou um número de WhatsApp – (61)99289-4640 – para que a população envie mensagens e tire dúvidas sobre o novo coronavírus. 

“É muito importante para as pessoas quando receberem qualquer notícia, principalmente pelo WhatsApp, não repassarem nada sem checar a veracidade”, recomenda o médico sanitarista José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde.

Antes de consumir qualquer informação, os cidadãos devem desconfiar das fontes quando não forem claras ou conhecidas e se informar sobre o assunto em veículos de informação de credibilidade, para que não seja vítima de nenhuma fake news.

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