Psicóloga fala sobre saúde mental durante a quarentena

Por Tainá Oliveira, estudante do 3º semestre de Jornalismo no UniToledo Araçatuba.

Em meio à pandemia de coronavírus, especialistas vem avisando que a atenção à saúde mental é fundamental para preservar o bem-estar individual e coletivo e amenizar os impactos emocionais decorrentes dos acontecimentos atuais.

Com o número de casos confirmados de COVID-19 aumentando a cada dia no Brasil, o distanciamento social se tornou um dos principais métodos adotados por diversas autoridades como estratégia para conter a transmissão, e tal alternativa implica em uma reestruturação no modo de vida a que estamos acostumados. Nessas circunstâncias, os serviços públicos e privados estão suspensos ou funcionando parcialmente e uma grande parcela da população está em isolamento em casa, conforme a recomendação. “Nossa rotina mudou completamente” diz Glória Siqueira, psicóloga no Instituto Sinapsis e professora na graduação de Psicologia no UniToledo. “Geralmente mudança, a menor possível, já causa um desconforto. Imagina nesse momento? Saúde mental é o que nos ajuda a ter boa capacidade pra resolução de problemas e adaptação”, informa.

Durante o isolamento social, é natural que o estado mental seja afetado; Foto: unsplash.com

É a primeira vez na história recente que uma pandemia paralisa o mundo inteiro e não há previsão unânime por parte da ciência de quando tudo irá se normalizar. Diante da excepcionalidade da situação, o cuidado com a nossa saúde mental se faz tão necessário quanto àquele direcionado à saúde física.“Uma pessoa com a rotina alterada, automaticamente passa por um período de desconforto: rendimento cai, sono piora, alimentação, humor… um ou outro dia assim, somos capazes de suportar. Entretanto, diante do quadro atual que não temos uma perspectiva real de retomada da antiga rotina, todos esses aspectos (rendimento, sono, humor, alimentação) podem ser desencadeadores de piores resultados: episódios depressivos, transtornos de ansiedade e o principal: queda de imunidade, deixando-nos mais vulneráveis ao adoecimento físico. Cuidar desde já da saúde mental é prevenção para todos esses possíveis desfechos”, complementa a psicóloga.

Sem ter como recorrer a estímulos externos, o confinamento imposto por conta do coronavírus pode acabar ocasionando desentendimentos familiares, visto que ninguém está imune ao estresse causado pela pandemia. “Está todo mundo estressado por todas as implicações da situação, [..] então é importante lembrar que de nada vai adiantar excesso de cobrança sobre posturas, comportamentos que já existiam. Isto só vai aumentar o estresse. Precisamos treinar a tolerância, a aceitação de algumas atitudes, assim como aprender a comunicar assertivamente o que sentimos e pensamos”, afirma Glória.

Saber dialogar é essencial para minimizar os conflitos e manter um ambiente favorável, especialmente em um momento onde existe tensão emocional e uma série de emoções (muitas das quais não muito positivas) à flor da pele. E nesse emaranhado de emoções, há indivíduos mais propensos a sentir mais intensamente os efeitos dessa quarentena.

Idosos tendem a sentir mais solidão durante quarentena; Foto: unsplash.com

Glória Siqueira explica que também há grupos de risco em relação à saúde mental. Pessoas que já configuravam alterações no humor, transtornos psiquiátricos, ou pessoas que vivem só e idosos tendem a sentir mais intensamente a mudança brusca da rotina. “Muitas pessoas tinham apenas o suporte social no externo de suas casas. Permanecer distanciadas das pessoas que propiciavam sentido, prazer, companhia afeta diretamente o sistema de recompensa do cérebro, diminuindo as sensações de bem-estar”.

Por isso, a psicóloga destaca um gesto útil que podemos ter em relação a estas pessoas. “Cuidar, mesmo que distante destas pessoas é importantíssimo. Ligações por vídeo ou apenas chamadas de voz de pessoas significativas para esse grupo podem ter efeito positivo. ”

A especialista lista alguns hábitos que podem ajudar a minimizar os impactos dessa experiência, evitando a sobrecarga emocional.

Manter rotina de sono

“Praticar atividades relaxantes, evitar o uso de telas antes de dormir, horário para dormir, horário para acordar – ignoramos muito a qualidade do sono, mas é nesse momento que nosso organismo se regula e promove a liberação de alguns hormônios vitais para a regulação de humor.”

Regular o sono é importante para a saúde mental; Foto: unsplash.com

Alimentação balanceada e atividade física

“Aqui entende-se balanceada uma alimentação livre de excessos (sal, açúcar, frituras e álcool) e atividade física qualquer coisa que te movimente: pular corda, dançar etc…”

Alimentação saudável melhora o desempenho do corpo e da mente; Foto: unsplash.com

Manter contato com as pessoas

“Ligações, vídeos… mas principalmente pessoas que te façam sentir bem. Somos seres sociais, então precisamos do contato mesmo que a distância. Aqui é nossa chance de comunicação – falar o que estou sentindo, ouvir o que o outro sente, falar sobre coisas aleatórias e até trocar novas experiências (receita, exercício, música…por que não).

Uso de rede sociais para comunicação interpessoal; Foto: unsplash.com

Se afastar do excesso de informações

“Encontrar uma ou duas fontes de informações confiáveis e checar uma ou duas vezes ao dia no máximo. O excesso de informações, grande parte das vezes inúteis, só gera mais medo e angústia. Ou seja, piora nosso estado de humor. Atente-se aos cuidados que precisa ter, cuida-se de si e de quem está próximo e lembre-se que nesse momento, o esperado é isto. ”

Folheto informativo da OPAS; Fonte: Site OPAS Brasil.

Para mais informações acerca do COVID-19, acesse:

Ministério da Saúde

ONU News

Organização Pan-Americana da Saúde

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