Introspectivos e futuristas: a nova cena new wave

Surgimento, influências e subgêneros do movimento que fez parte da revolução do pós-punk

Por Ana Laura Queiroz, estudante de Jornalismo do UniToledo Araçatuba

A New Wave foi um movimento musical que marcou principalmente os anos 80. Segundo o historiador musical Vernon Joynson, teve início na Inglaterra no final de 1976, quando diversas bandas começaram a se afastar do movimento punk. Ela englobava uma série de estilos musicais que estavam em crescimento – por isso a confusão que até hoje muitos fazem, pois ela abrange tanto uma onda mais alegre, divertida e colorida, quanto um som mais triste, plangente, sombrio e meditativo, neste mesmo balaio.

Comparado ao punk, porém, a New Wave era considerada um estilo mais singelo e inocente, embora preservasse a falta de reverência de seu antecessor. A Nova Onda, tradução literal deste movimento, se caracterizava principalmente por abranger inúmeras expressões musicais, desde um som mais roqueiro, como os de Nick Lowe e do grupo XTC, até uma sonoridade mais eletrônica, como a de Gary Numan.

A New Wave surge quando o som das discotecas, predominante nos anos 70, dá sinais de esgotamento, ao mesmo tempo em que o punk aponta para sua decadência. Este novo movimento dá uma injeção de energia no estilo roqueiro. Além de agitar o cenário musical, esta nova onda também revitaliza a cena estética. O universo fashion é marcado pelo excesso de ombreiras, de tonalidades verde limão impressas em muita popeline; os cabelos volumosos são mergulhados em glitter gel. A alegria é a marca maior deste mix musical e estético.

Experimentais, líricas e elaboradas

Na Inglaterra, os fãs e a imprensa chamavam de New Wave o som de bandas que não eram exatamente punks, mas que dividiam a mesma cena musical. Já nos EUA, esse termo passou a ser usado pela gravadora Sire Records para definir o estilo das novas bandas que estavam assinando contrato, e tocavam frequentemente no clube CGBG, palco de bandas punks, mas que começavam a aderir ao uso dos teclados e sintetizadores em suas músicas, tornando-as mais experimentais, líricas e elaboradas.

Podemos destacar algumas bandas que foram e são referências até hoje desse movimento, como por exemplo: The Cure, The Smiths, Joy Division, Talking Heads, Blondie, e muitas outras.

Apesar de diferentes, o Punk, New Wave e Post-Punk foram uma reação contra as músicas populares super produzidas e pouco criativas dos anos 70, abrindo espaço também para muitas bandas de um único sucesso.

Como o New Wave era muito abrangente e tudo o que surgiu depois do Punk é considerado New Wave, ele pode dar origem a outros subgêneros como o New Romantics, o Synthpop/Technopop e o Darkwave, todas fazendo o uso constante de sintetizadores e teclados em suas músicas.

O movimento no Brasil

Já no Brasil este movimento musical contribuiu para o fortalecimento do rock brasileiro, que não seria o que ele é hoje sem essa explosão dos anos 80 no cenário mundial. A emergência da New Wave ocorreu praticamente ao mesmo tempo em que o rock nacional nascia e dava seus primeiros passos. Houve neste país uma mistura de movimento punk, mobilização pelas Diretas Já, processo de redemocratização, fim da Ditadura Militar e a emergência de novos parâmetros culturais. Este mix fez o cenário musical brasileiro fervilhar, com a presença de bandas como Titãs, Ira!, Ultraje a Rigor, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, Paralamas do Sucesso, entre outras.

Luis Henrique Gomes, músico e vocalista da banda Alices de Araçatuba, como um bom apreciador do movimento respondeu algumas perguntas quanto ao gênero musical:

– Vemos que o indie sofreu forte influência do New wave ao longo da história, diante disso, quais bandas pós punk vocês tomam como referência na hora de tocar?

Gomes“De fato o indie rock não é tão novo quanto se parece, ele nasceu nos anos 80 sob forte influência do new wave e pós punk, portanto, bandas como The Smiths, Joy Division, New Order, The Cure, Tears for Fears, Billy Idol certamente fizeram nossa mente e nos influenciaram bastante na forma de tocar e na escolha do nosso repertório.”

– Como você definiria o público do new wave atualmente?

Gomes“Eu os defino como um público mais sofisticado em termos estéticos e comportamentais. O público new wave já carregava uma estética visual muito elegante, futurística e, além da música, influenciou fortemente na moda e no comportamento das pessoas. Embora não seja mais um contexto revolucionário, assim como o estilo foi no auge dos anos 80, o movimento influenciou diversos artistas que marcaram gerações e ainda contribuem com o mercado da música. ”

– “O que você acha que diferencia a New Wave perante aos outros gêneros musicais? ”

Gomes“Definitivamente a sofisticação, principalmente musical, a elegância visual, pois era um estilo alegre no sentido de ser minimalista e atraente, nada maçante aos ouvidos. ”

– Por que acha importante esse resgate da cultura 80’s?”

Gomes“Eu acho superimportante o resgate da cultura passada em todos os termos de artísticos. Talvez seja um dos únicos pontos em que eu seja mais conservador. Penso que é importante conhecer a história das coisas pra que possamos ter uma boa base, pois é assim que conseguimos exercitar nossa criatividade para transformar as coisas ao nosso redor. Em arte tudo se transforma, tudo é uma releitura de algo que já conhecíamos, então, temos que nos esforçar pra que ao menos nossas referências sejam as melhores possíveis.”

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