Gravidez não planejada: como se sentir em um momento assim?

Por Nathyele Guimarães, aluna do 3º semestre de Jornalismo no UniToledo

Quando se fala em gravidez, logo vem à mente momentos incríveis, desde quando recebe a
notícia da espera de um filho, até a chegada dele. Mas, nem todos os casos são assim, nem todos os pais estão preparados para a chegada de um bebê, e alguns, muitas vezes nem reagem bem ao saber que uma nova vida está sendo gerada.

A vida de uma mulher muda completamente quando ela se torna mãe, as responsabilidades
aumentam, as preocupações e os cuidados também. Saber lidar com tudo que está por vir não é
fácil, como mostra a personagem desta entrevista. Franciele Pereira de Almeida tem 19 anos,
trabalha como repositora em um supermercado e é mãe do Antony, de apenas dois meses. Assim
como outros milhões de jovens brasileiras, ela teve uma gravidez não-planejada.


Qual foi a sensação quando você descobriu sua gravidez?
A sensação foi horrível, só sabia sentir medo e tristeza. Não conseguia sentir mais nada, nem se quer um pouco de alegria pra minha vida. Já tinha acabado ali quando
descobri.


O que você pensou quando descobriu?
Quando descobri já estava com quatro meses. Não só pensei, como tentei abortar, infelizmente fiz isso e tentei esconder, tanto que quando fui falar para minha família, porque já estavam desconfiando, estava entrando para os 6 meses.


O que mudou na sua vida depois da gravidez?
Antes eu podia sair com meu companheiro sem ter hora para voltar, mesmo que fosse só para comer um lanche. Hoje em dia, já não dá para voltar tão tarde. Os banhos eram mais demorados e agora, se dura 1 minuto já é muito. Eu tinha tempo para fazer o cabelo, sobrancelhas, unhas. Mas hoje, não tenho tanto tempo para isso. Quando tenho tempo é para arrumar as coisas em casa ou descansar um pouco, até porque a maternidade cansa. E como cansa! Entre outras coisas…


O que você sentiu quando o Antony nasceu?
Quando ele nasceu eu senti uma emoção muito grande. Assim que o vi, ele despertou um amor em mim que até então eu desconhecia. Nunca tinha sentido esse amor que sinto agora, um amor tão forte! Esse sentimento toda mulher tem que sentir. É muito bom e vale a pena.


Como era sua rotina antes de ser mãe e como é agora?
Ia dormir sempre cedo e acordava sempre tarde quando não ia trabalhar. Hoje não é mais assim, eu vou dormir quando está amanhecendo porque o bebê trocou o dia pela noite e acordo cedo, não durmo nada. Têm muitas coisas que mudaram na minha rotina que é um pouco difícil de acostumar.


Como foi a reação da sua família ao descobrir sua gravidez?
Nossa, não tenho palavras para falar sobre isso, eu pensei que todos iriam me julgar, que iriam falar tanta coisa ruim pra mim, mas foi totalmente ao contrário do que pensei. Minha família, assim que soube, me acolheu. Eles me deram muito carinho e amor, me apoiaram, ficaram todos felizes. O Antony veio em um momento que tinha que vir, pois tínhamos acabado de perder uma pessoa que amamos muito em nossa família. Ele nunca irá substituir ela, mas veio para amenizar essa dor. Esse menino é muito amado por todos, não tenho palavras para agradecer a Deus por ter me dado esse presente lindo.


Você pensa em voltar a estudar?
Sim, claro. O meu maior desejo é voltar para faculdade. Eu acho que um dos motivos pra eu ter ficado tão triste quando descobri que estava grávida foi esse, porque tinha planos para voltar a estudar esse ano, e vi que não seria possível no momento, mas logo voltarei.


Como é sua rotina e a do seu filho?
Todos os dias é a mesma coisa, pelo menos agora que estou de licença é assim: às 04h acordamos, às 09:00 hora dou tetê, troco a fralda, depois meio dia dou banho e mais tetê. A tarde é hora da sonequinha, dou outro banho às 20h e aí ele dorme de novo e assim vai (risos). Mas quando eu voltar a trabalhar sei que vai mudar.


Você, como mãe, vê esse cenário de pandemia de que maneira?
Olha, no começo eu estava com muito medo mesmo. Quando começou essa pandemia ele não tinha nem um mês de vida, eu o ganhei e já começou isso. Fiquei bem assustada, com medo de acontecer algo, sei lá, o Antony pegar de alguém, pegar de mim porque eu e ele estamos em casa, mas o pai dele está trabalhando ainda e trabalha no mercado. Então estamos muito expostos a pegar, pois meu noivo pode passar para a gente. Eu tenho ansiedade e estava me fazendo mal ficar em casa só eu e o bebê e só vendo coisas de pandemia em tudo que é jornal, mas comecei a relaxar. Sei que não pode, mas eu saio direto pra ir na minha mãe, na minha sogra ou em alguma amiga, com muito cuidado, sempre, mas saio porque não estava muito bem com tudo isso.


Hoje em dia você e o pai do Antony também dividem a rotina do dia a dia? Como ele participa da vida do filho de vocês?
Olha, no começo ele me ajudou bem mais, ficava acordado comigo à noite, trocava fralda. Hoje em dia ele não me ajuda mais, raramente troca uma fralda do bebê, dá uma mamadeira pra ele ou até mesmo ficar acordado. Ele dá amor, carinho e atenção, mas o principal que é uma ajudinha no dia a dia, ele não ajuda… Bom, agora eu não ligo muito que ele não participe porque estou em casa e ele está trabalhando, eu até entendo o cansaço dele, mas assim que eu voltar a trabalhar sei que ele vai me ajudar, vai participar.


Ser mãe para você é?
Ser mãe é ter o coração fora do corpo, saber que o amor da sua vida nasceu de você.

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