Se concentre na sua voz: auto-hipnose e meditação em quarentena

Saiba como manter a mente calma em isolamento social.

Por Caroline Franciele, aluna de Jornalismo no UniToledo Araçatuba.

Entenda as nuances da auto-hipnose em quarentena social. Créditos de imagem: Website Psivaniabressani.

Hipnose, os mistérios da mente humana e sua capacidade são questões que fascinaram e fascinam as pessoas até hoje. Explorar as nuances do subconsciente tem sido os desafios de muitos especialistas ao longo dos séculos. Mas você sabe como usar as potencialidades de sua mente? Já testou seus limites? Sabia que, em tempos de crise, como a que estamos vivendo, podemos praticar a auto – hipnose para ajudar?

Se sua resposta às questões anteriores foi majoritariamente sim, leia mais abaixo a fala de especialistas sobre técnicas de relaxamento mental e reflexão, relatos de praticantes de meditação e dicas simples que podem te ajudar a manter uma mente saudável nessa e em várias ocasiões.

A mente humana está em constante processo de mudança. Créditos de imagem Website A mente maravilhosa.

A mente humana como um processo em construção

“Primeiramente, nós temos que entender que a saúde mental é um processo, não é um estado terminal”. – Edson Koenigkan Júnior, psicólogo e hipnólogo.

Ansiedade, depressão e estresse emocional; essas são patologias que afetam grande parte da população mundial atualmente. Mais especificamente, de acordo com informações veiculadas em julho de 2019 pela revista Veja, 86% dos brasileiros têm algum empecilho mental. Desse total, 9,3% sofrem de ansiedade, 37%, de estresse severo e 59% de depressão severa. Segundo matérias de diversos websites, essas doenças mentais tendem a ser agravadas pelo isolamento social, método adotado pelas gestões públicas para evitar a pandemia do COVID-19, o que gera grande preocupação nesse público e em pessoas relacionadas a eles.

Nesse panorama, como manter o equilíbrio mental? Como evitar que as preocupações excessivas, a ansiedade e a irritabilidade nos dominem?

Edson Koenigkan Júnior, psicólogo e hipnólogo clínico, em entrevista, nos fornece informações e dicas sobre como ponderar a mente em tempos de crise e com pouco contato social. De acordo com ele, “Primeiramente, nós temos que entender que a saúde mental é um processo, não um estado terminal, que existem vários fatores. Não há uma receita que irá funcionar para todas as pessoas. Um dos erros clássicos da psicologia e de muitas pessoas é acreditar que os problemas vão se resolver prontamente.”  Edson frisa as especificidades pessoais e mentais que cada indivíduo possui. Cada um, em suas palavras, apreende o mundo a sua forma. Cada mente nasce ‘vazia’ e vai se preenchendo com aprendizagens contínuas e hábitos.  Cada pessoa é diferente uma da outra.

De um modo geral, relata que, apesar das diferenças individuais, é importante que as pessoas aprendam a se respeitar, a compreender seus limites. Fazendo uma reflexão sobre sua vida, irá aprender a controlar a ansiedade, sendo o maior erro das pessoas, a falta de questionamento pessoal. Um conselho oferecido pelo especialista é a reflexão e o auto – questionamento para o controle emocional. “Reflitam, se questionem, procurem se perguntar quem sou eu, quais são minhas crenças, por que estou padecendo?”, nas palavras do especialista.

Edson também menciona que no contexto da pandemia, todos nós estamos inconscientemente nos sentindo mal, com a sensação de que há algo errado. Uma dica para conciliar esse processo subconsciente é a meditação ou até mesmo outras técnicas, como não deixar a vida cair na rotina, pois até mesmo uma casa mal arrumada pode enfraquecer nosso subconsciente; dar continuidade aos hábitos de passatempo, como tocar algum instrumento, escrever, em síntese, deixar a mente ocupada, não se deixando abalar.

O feedback diário antes de dormir igualmente se torna um método saudável. Refletir o que se fez ao decorrer do seu dia e anotar são passos que ajudarão seu cérebro a não se perder. “Nossa mente está sempre flutuando entre o futuro e o passado, dificilmente estamos realmente concentrados no presente”.

Outra questão, até mesmo cientificamente comprovada, de acordo com o entrevistado, é o conhecimento de nossos transtornos, a identificação que permite que os mesmos sejam controlados, o que já é de grande auxílio.

A auto – hipnose em quarentena

Práticas de auto – hipnose como meio de relaxamento mental. Créditos de imagem: Website Fressider.

Um dos vários mitos que permeiam o imaginário popular é a crença de que a hipnose é algo nocivo, devendo ser evitado, como se o hipnólogo fosse capaz de controlar os hipnotizados a seu bel-prazer. Mas, apesar dos mitos, você sabia que pode se auto-hipnotizar no sofá de sua casa, na sua casa ou até mesmo antes de um evento importante?

Segundo Edson Koenigkan Júnior, a auto – hipnose nada mais é do que um processo de meditação guiada. Quando realizamos essa prática, normalmente se procura relaxar o corpo e parar os pensamentos. Nesse processo, o praticamente irá relaxar e fazer autossugestões, podendo ser feito em casa.

O primeiro passo desses sugestionamentos é fechar os olhos e respirar profundamente três vezes. O expirar deve ser mais forte que o inspirar. Todo o ar deve ser retirado dos pulmões até que se sinta uma sensação de leve tontura.

Depois disso, você será uma espécie de espião do seu cérebro. Você verá que tipo de pensamentos sua mente te trás, sem adentrar em pensamento algum, mandando todos os pensamentos embora e vendo qual será o próximo. Os pensamentos vêm e vão embora.

Você vai observar que depois disso, todos os pensamentos vão embora, sua mente vai ficar bem tranquila. A partir daí, começa o processo da auto- hipnose. Você imaginará uma estrada, uma porteira bela, uma paisagem relaxante.

Respire profundamente. Imagine o ar todo azul e vai entrando no seu corpo. As sensações de respirar vão se tornar mais intensas. Com essa respiração, você expelirá junto com o ar, todos os seus traumas, as suas angústias, incômodos.

Nessa viagem mental pode haver sensações de carregar uma energia, de ficar mais calmo e tranquilo, de mandar embora toda a ansiedade, angústias e tristezas, algo amistoso.

Sobre o poder da auto – hipnose, Koenigkan nos diz que nossa mente acumula o estresse diário, sendo que nossa mente não distingue o real do imaginário.  Ao reviver mentalmente esse estresse, nosso organismo libera hormônios como a adrenalina, o cortisol, que provoca mudanças negativas no organismo.

Na ausência do estado de paz, a imunidade se desgasta, provocando transtornos e desequilíbrios de uma forma geral, tendo como base isso, a auto – hipnose auxiliará nesse processo, sendo recomendada sempre e em várias ocasiões e havendo mais opções, como por exemplo, a observação dos sons ambientais de olhos fechados.

Lembrando que, devido as personalidade, desenvolvimentos mentais e pessoais, algumas dicas se aplicaram mais a algumas pessoas melhor que outras.

Edson Koenigkan Jr., hipnólogo clínico. Foto do acervo pessoal.

Relatos de praticantes

Praticantes de métodos meditativos fornecem relatos sobre a experiência. Créditos de imagem: Website Superinteressante.

Vanessa Rodrigues Koenigkan, 32 anos, atuante na área de Departamento de Pessoal, relata já ter praticado a auto- hipnose. Em suas palavras, apesar de sentir um pouco de medo inicial, teve o auxílio da voz do hipnotizador, posteriormente se sentindo leve.

Em sua opinião, é interessante saber que podemos controlar nossas emoções através da respiração, que podemos programar nossa mente, nossos pensamentos, direcionando-os. A assistente de Departamento de Pessoal conta que se sentia encantada com o processo e com as sensações que isso pode causar.

Já Isabelly do Prado Silva Marques, 17 anos e estudante do Ensino Médio relata já ter passado por meditações profundas, se aproximando do estado de transe. Segundo ela, isso se decorreu por recomendação de um professor de Sociologia, devido às tensões causadas pelas provas escolares.

Ao chegar em casa, Isabelly foi testar o método. Aproveitou a experiência, tendo uma sensação tranquilizante, que a ajudou a manter a mente calma.

Outro entrevistado que prefere não se identificar, relata já praticar técnicas de meditação desde os 11 anos. Durante a infância, procurava tutoriais na internet, por ser uma pessoa ansiosa. Ao aplicar a técnica diz que sentia ‘ a mente limpa’, como se toneladas fossem retiradas de seus ombros e a paz o invadisse.

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