Atual cabeleireiro e futuro músico: a vida de Gabriel Silva na quarentena

Por Carlos Alves, aluno do 3º semestre de Jornalismo no UniToledo de Araçatuba

Gabriel Alves de Almeida Silva, de 20 anos de idade, morador da cidade de Penápolis-SP, relata através desta entrevista as mudanças ocorridas em sua vida devido a quarentena e também seus planos para o futuro. Gabriel reside na casa de seus pais, mesmo local onde exerce a profissão de cabeleireiro, e estuda música nas horas vagas. Ele sonha em ser um guitarrista de sucesso no futuro.

Quais as principais mudanças que ocorreram em sua vida do início da quarentena até o atual momento?

Gabriel Silva: O que mudou de maneira drástica foi, com certeza, o meu convívio social, que se tornou escasso devido ao isolamento social. Mantenho contato com alguns amigos mais próximos de forma remota, apenas.

O isolamento social e as preocupações causadas pela pandemia podem agravar e fazer surgir problemas emocionais e psicológicos. Algo do tipo aconteceu com você?

Gabriel Silva: Isso é realmente complicado, acredito que todos serão afetados emocionalmente de alguma maneira. No meu caso, a ansiedade se tornou corriqueira nestes dias que se passaram, o fato de eu ser autônomo me preocupa muito, pois fico pensando como será depois que tudo isso acabar. Meus projetos foram paralisados, estava tirando carteira de motorista e me preparando para prestar vestibulares em faculdades na área musical, isto tudo me abalou de forma considerável.

Como você tem efeito para passar o tempo de ócio nesta quarentena?

Gabriel Silva: Tenho estudado e praticado algumas músicas na guitarra, além assistir filmes e séries. No restante do tempo costumo jogar vídeo game e “navegar” pelas redes sociais.

Falando agora sobre a saúde física, muitas pessoas estão praticando atividades físicas em casa. Como você tem tratado essa questão?

Gabriel Silva: Confesso que estou procrastinando em relação a isso, a falta de rotina me desmotivou a praticar exercícios físicos, porém é algo que pretendo mudar pelo bem de minha saúde.

A conscientização e empatia por parte das pessoas é essencial para a contenção do vírus, como você tem visto estão questão em sua cidade?

Gabriel Silva: Tenho observado que a população de um modo geral no Brasil não tem respeitado a quarentena, isto reflete a cultura brasileira do “jeitinho” que é vergonhosa. A falta de zelo com outro por parte de alguns me desanima, infelizmente estás praticas vem acompanhadas por falsas notícias espalhadas nas redes sociais, o que dificulta o progresso na contenção do vírus.

Entrando agora no âmbito profissional e financeiro, pergunto como e por que escolheu se tornar cabeleireiro?

Gabriel Silva: Tudo começou por influência da minha mãe que desde quando nasci é cabeleireira, ela sempre me aconselhou que a profissão poderia ser uma alternativa a grande dificuldade que é conseguir um emprego de carteira registrada no Brasil. Então decidi seguir essa profissão e fiz um curso de cabeleireiro no Instituto Municipal de Profissões (IMP) de minha cidade. Hoje divido salão com minha mãe, ela cuida do público feminino e eu do masculino.

Como você concilia seu trabalho como cabeleireiro e seu sonho de ser músico?

Gabriel Silva: Vejo minha atual profissão como um “degrau” que poderá me permitir financeiramente ir atrás do meu sonho, durante o dia trabalho no salão e a noite estudo e pratico com minha guitarra. Pretendo um dia me manter apenas como músico, que é meu real objetivo.

As atividades em seu salão continuam ou pararam por completo?

Gabriel Silva: Durante um período atendi meus clientes um de cada de vez, com horário marcado e com obrigatoriedade do uso de máscaras, mas agora com os decretos do governo e por julgar necessário decidi encerrar as atividades em meu salão.

Como está sua situação financeira com as mudanças drásticas causadas por toda está problemática da pandemia?

Gabriel Silva: A renda do salão já havia caído de grande forma mesmo quando eu ainda estava atendendo, muitos de meus clientes deixaram de ir ao salão por conta de problemas financeiros e também por precaução com a saúde. Estou tentado diminuir ao máximo meus gatos, afinal já não tenho minha renda mensal garantida e isto está sendo muito difícil.

O governo disponibilizou um auxílio emergencial para ajudar as pessoas que necessitam de ajuda financeira no valor de 600 reais, durante três meses, porém muitos tem encontrado dificuldade em terem acesso ao mesmo. Você como autônomo tentou ou conseguiu o recebimento do auxílio?

Gabriel Silva: Vi no auxílio uma maneira de amenizar minha crise financeira atual, mas na primeira tentativa o aplicativo da Caixa me informou um erro no cadastro do pedido, desde então tentei novamente e estou no aguardo.

Com 20 anos de idade e vivendo em um cenário atual caótico, quais perspectivas tem para um futuro pós quarentena?

Gabriel Silva: Tenho esperança que tudo isso acabe o mais breve possível, mas enquanto isso não acontece vou usar o tempo para me aprimorar tanto como cabeleireiro quanto como músico.

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