Alemanha: exemplo dentro e fora de campo

Por Guilherme Giorgi, estudante de Jornalismo do UniToledo Araçatuba

A Alemanha é o país que melhor lidou com a pandemia do coronavírus no mundo todo. Mesmo com o número de infectados não sendo baixo, o índice de mortes é menor que 1%. Ao todo, são pouco mais de 177 mil pessoas infectadas, já as mortes chegaram a 8.000 no país.

As medidas que fizeram a Alemanha ser um exemplo no combate ao Covid-19 foram implementadas rapidamente. A chanceler Angela Merkel implantou medidas severas de isolamento social, fechando centros comerciais, escolas, fronteiras e fábricas logo de início.

Além disso, o governo alemão começou a aplicar testes em massa na população, detectando a infecção no início ou até quando a doença se apresenta de forma assintomática, ou seja, que não apresenta sintomas. Com isso, foi possível tornar a taxa de mortalidade bem baixa em relação a outros países europeus, como Espanha e Itália.

Esses testes foram desenvolvidos no próprio país em janeiro, antes da doença se propagar pelo mundo. Quando ela chegou na Alemanha, o país já estava com estoque de testes prontos para uso. Cerca de 350 mil testes por semana são realizados.

Toda essa precaução e planejamento mostra o quanto o país levou a sério a doença. Pois a Alemanha já era, antes da pandemia explodir, o país com mais leitos de UTIs no mundo, sendo 28 mil unidades contabilizadas em janeiro. Mesmo assim, para evitar qualquer chance de colapso, houve a ampliação do número de leitos, saltando para  40 mil leitos de UTIs.

Com isso, no fim de abril Angela Merkel decretou a flexibilização da quarentena no país, sendo o primeiro dos principais países do mundo a decretar tal feito. A partir do início de maio, as aulas voltaram, o comércio está podendo reabrir parcialmente, salões de cabeleireiros também. Na última semana, as fronteiras do país já começam a ser abertas parcialmente. 

Até agosto os bares, teatros, restaurantes e casas de shows continuarão fechadas. Mas o futebol, mesmo sem torcida, foi liberado a voltar às suas atividades e retomar a temporada da Bundesliga.

A Bundesliga voltou

Com liberação para treinos individuais desde abril, passando gradativamente para treinos em grupos, os jogadores já sabiam que a volta do futebol aconteceria em breve. E ela aconteceu a no último sábado, (16). Mas para isso, vários protocolos foram feitos e tem de ser cumpridos.

Um intenso monitoramento da doença no país, os testes constantes entre todos os funcionários e jogadores dos clubes, além de rígido controle na higiene e respeito ao distanciamento social são os pilares dessa volta do futebol. E também servirão de exemplo a ser seguido em outros países que desejam a retomada do futebol, proporcionando a disputa das retas finais dos campeonatos nacionais e continentais.

Ainda há um processo de adaptação com o estádio vazio. Não poder comemorar um gol abraçando e criando aglomeração de jogadores; jogadores no banco de reservas estarem bem afastados um dos outros (respeitando 1,5m de distância entre cada); desinfetar as bolas de futebol antes e após as partidas; chegada dos jogadores e membros das comissões técnicas em vários transportes diferentes e uso de máscara obrigatório, exceto aos jogadores e arbitragem dentro de campo.

Mesmo com tantas exigências, a volta aconteceu e serve de alento para os torcedores no mundo que sentiam falta das competições ao vivo, há dois meses paralisadas.

Briga pelo título

O líder Bayern de Munique venceu fora de casa o Union Berlin por 2×0, mantendo a diferença de quatro pontos (58 contra 54) para o vice-líder Borussia Dortmund, que goleou na volta do campeonato. Os aurinegros fizeram 4×0 no rival Schalke, no clássico do Vale do Ruhr.

Na terceira posição está o Borussia Monchengladbach, que fora de casa venceu o Eintracht Frankfurt por 3×1, chegando aos 52 pontos. O RB Leipzig, outro postulante ao título, tropeçou em casa e apenas empatou com o Freiburg por 1×1, ficando nos 51 pontos.

Faltando oito rodadas para o fim da competição, o Bayern pode conquistar seu oitavo campeonato de forma consecutiva. Numa temporada com vários problemas, como a demissão no início do campeonato do até então técnico Niko Kovac após mau rendimento, a despedida de ídolos do clube como Robben, Ribery e Rafinha ao fim da última temporada, além da ascensão de times como Dortmund, Leipzig e Monchengladbach fizeram o torcedor bávaro prever uma temporada melancólica.

Mas o técnico interino Hans-Dieter Flick mudou um panorama que parecia perdido. Retomou as boas atuações do clube, caiu no gosto de torcedores e jogadores, tanto que assinou contrato até junho de 2023, presente dado pelo clube como forma de reconhecimento ao bom trabalho feito rapidamente.

Mas o campeonato não está decidido. Tanto que no próximo dia 26 haverá Dortmund x Bayern, em jogo que pode fazer os aurinegros encostarem na liderança.

Em uma das edições mais disputadas dos últimos tempos, a Bundesliga já tinha tudo para prender a atenção do fã de futebol. Sendo a única das principais competições acontecendo, os olhos do mundo se dirigem à Alemanha. A batalha contra o coronavírus está sendo vencida pelo país. E quem vencerá nos estádios germânicos?

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