Obrigado, Kobe

Por Guilherme Giorgi, estudante de Jornalismo do Unitoledo Araçatuba

Esse não é somente um texto, mas uma homenagem. Dizem que quando uma grande personalidade morre, ela deixa a vida para entrar para história. Mas Kobe Bryant atingiu tudo isso e muito mais já em vida através de sua carreira fantástica.

Kobe se tornou mais que um astro de basquete. Mas sim a personificação de Los Angeles. Nos anos 80, o Los Angeles Lakers revolucionou o jeito de jogar, sendo chamada de Showtime.  Os tempos tão dourados como suas camisas, tinha uma estrela: Earvin “Magic” Johnson. Após sua aposentadoria precoce após descobrir que contraiu o vírus da AIDS, Los Angeles esperou por alguns anos para ter seu maior herói.

Kobe foi diferente de todos. Filho de um jogador de basquete, Kobe cresceu na Itália (onde seu pai jogava na época), adora futebol (torcedor do Milan), muito fã de Oscar Schmidt a quem viu arrasar nas quadras europeias. Além de italiano, falava e dava até entrevistas em espanhol, adorava outras culturas e, ao contrário de muitos atletas, era muito solícito com a imprensa, sempre com simpatia.

O garoto da Philadelphia tinha um único desejo quando voltou aos Estados Unidos: ser jogador dos Lakers. Em 1996, foi draftado pelo Charlotte Hornets, mas Jerry West, ex-jogador e general manager do time californiano, se encantou pela sua qualidade e o trouxe para LA com apenas 18 anos. A Cidade dos Anjos nunca mais foi a mesma. Kobe batalhou sempre para ser o melhor, se tornar obcecado em evoluir, em tirar o máximo de quem foram suas referências e trazer isso ao seu jogo.

Curiosamente, o primeiro grande conselheiro e mentor de Kobe não estava no esporte, e sim na música. Aos 18 anos, o futuro astro recebeu um telefonema de Michael Jackson, que o convidou para ir à Neverland. Lá, mostrou a Kobe desde o que o inspirava para compor, produzir e escrever músicas, o quanto era obcecado pelos seus ídolos e que por isso obtinha o máximo de informação deles, pois assim seu trabalho seria de excelência. E disse a Kobe que só assim, sendo obcecado em se aperfeiçoar chegaria ao topo.

Quando saiu de Neverland, Kobe nunca mais foi o mesmo. Além das inspirações de arte, música, literatura que havia recebido, tinha que se inspirar no maior do seu esporte. E quem seria? Sim, o maior de todos: Michael Jordan. Desde que se encontraram a primeira vez numa partida, com Jordan já em fim de carreira (sua segunda aposentadoria), a ligação entre eles foi instantânea. Kobe queria sugar tudo que podia de informação, experiências vividas, e melhorias no seu jogo na parte ofensiva quanto defensiva.

Já Jordan se via no novato, podendo ser seu mentor e ensinar tudo que Kobe não aprendeu na faculdade (Kobe saiu do high school direto para a NBA). Uma relação tão próxima como de irmão mais velho com irmão mais novo. Foi assim que Jordan definiu a sua relação com Kobe em seu velório, com rosto em lágrimas.

É comum ver na evolução da carreira de Kobe o quanto ele “copiou” seus movimentos, sua linguagem corporal, mas especialmente sua mentalidade. Jordan nunca foi um companheiro de equipe agradável, pelo contrário, provocava, xingava, cobrava e às vezes até agredia seus companheiros em treinos para o prepararem para os jogos decisivos. Dizia que o controle mental era muito importante para ser campeão.

Kobe seguiu isso, tanto que a sua grande dupla com Shaquille ONeal , que rendeu um tricampeonato consecutivo (2000,2001 e 2002) aos Lakers, foi sendo minada temporada a temporada pela briga de ego entre os dois, até Shaq deixar o clube em 2004. A partir daí, Kobe voou solo como a grande estrela da Caçada da Fama do Staples Center. Com a ajuda do técnico que também fez Jordan deslanchar na carreira e conquistar todos seus títulos no Chicago Bulls: Phil Jackson.

Kobe foi o astro da liga a partir dos anos 2000, fonte de inspiração para todos. Junto com sua parceira de longa data Nike, criou o alter ego “Black Mamba”,que é uma cobra africana super venenosa. Usou disso para passar o momento mais difícil da carreira, quando foi acusado de assédio sexual em 2003 por uma funcionária de hotel no Colorado.

E essa “mudança” de personalidade fez muito bem. Elevou seu nível de jogo de uma forma avassaladora. Em 22 de janeiro de 2006 fez 81 pontos em partida contra o Toronto Raptors em Los Angeles, a segunda maior pontuação em uma única partida na história da NBA, ficando atrás dos 100 pontos que Wilt Chamberlain marcou em 1962.

Por ter duas personalidades, nada mais justo do que ter 2 números diferentes. Até 2006, Kobe vestia a camisa 8. Dali até seu fim de carreira usou a 24. As duas camisas foram aposentadas após encerrar sua carreira. Ganhou mais 2 títulos, um bicampeonato em 2009 e 2010. O último, aliás, com um gosto especial. Contra o arquirrival Boston Celtics, time para quem perdeu a final em 2008. Encerrou sua carreira sendo o 3º maior cestinha da história da NBA com 33.643 pontos (perdeu o posto um dia antes da sua morte para Lebron James). Passou os últimos anos da carreira sofrendo com problemas físicos e lesões sérias.

Para a nova geração que não tinha visto uma grande atuação de Kobe, ele deixou o gran finale para sua última partida. Foi uma temporada em que em cada quadra que pisou, especialmente quando era visitante, era homenageado e aplaudido por torcedores rivais, que queriam ter o gosto de ver uma última grande atuação no apogeu do astro.

Em sua despedida no Staples Center, o jogo era meramente secundário. Tanto Lakers como Utah Jazz não iriam para os playoffs. Então os olhares estavam todos em Kobe. E a cada posse de bola, os seus companheiros o procuravam para passar a bola. E mesmo não caindo nos primeiros arremessos, os pontos começaram a se acumular. 10, 20, 30, 40.

Já não era uma despedida normal, mesmo com o número elevado de arremessos tentados. Mas como dito acima, ninguém ligava para o jogo. Kobe estava “on fire”. 50 pontos! O final do jogo chegando e Kobe mesmo exausto vira o placar. Não tinha como se despedir com uma derrota.

Em dois lances livres, 60 pontos! Não precisava mais nada! Os fãs extasiados e arrepiados se deleitavam e sofriam por saber que era a última vez. Mas era um final épico, digno de quem encerrava carreira. Tanto que inspirou sua filha Gianna, de apenas 10 anos que assistia tudo aquilo ao vivo. Kobe deu uma grande atuação para suas filhas, que ainda não tinham visto ao vivo uma atuação desse nível. A partir daí, Kobe começou a ser mentor de Gianna, a incentivando e a acompanhando em partidas de basquete em que ela jogava.

E foi numa viagem de helicóptero, onde Kobe levava Gianna e algumas amigas acompanhadas de seus pais a uma partida onde jogariam, que um desastre aconteceu e todos tripulantes morreram.

Kobe partiu aos 41 anos. Muito cedo para qualquer pessoa. Mas o seu legado é enorme, assim como os vários espetáculos que deu em quadra. Foi mais que um atleta, um exemplo. Kobe foi por mais de 20 anos a imagem de Los Angeles e da NBA. Já que é a cidade dos anjos, nada mais justo que seu maior ídolo também esteja no céu, onde é o lugar dos deuses. Thank you, Kobe!

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